O Haiti adiou por tempo indeterminado as eleições presidenciais e legislativas previstas para dezembro. O anúncio foi feito nesta terça-feira (6) pelo Conselho Eleitoral provisório, que suspendeu as primeiras fases do processo eleitoral.
O país mais pobre das Américas vive uma crise política, econômica e de segurança, agravada nos últimos anos pela ação de gangues, que multiplicaram assassinatos, estupros e o recrutamento de menores. A última eleição ocorreu em 2016. O então presidente Jovenel Moïse foi assassinado em 2021 e não teve sucessor.
Governos sucessivos foram encarregados de realizar eleições, mas afirmaram que a insegurança, em meio a um conflito com as gangues armadas, tornava isso impossível. Em julho, porém, o Conselho Eleitoral anunciou as datas, agora suspensas.
“O período inicialmente estabelecido para a realização da campanha eleitoral foi adiado”, informou o Conselho Eleitoral nesta terça, sem apresentar nova data para o pleito O órgão disse que o calendário eleitoral “será publicado o mais breve possível”, acrescenta o órgão.
O primeiro turno estava marcado para 13 de dezembro de 2026, e o segundo, para 21 de fevereiro de 2027, conforme cronograma divulgado em julho.
O Haiti vive um cenário de calamidade social devido à violência armada e um Estado falido.
Os massacres e ataques de gangues causaram escassez de alimentos, extorsões e sequestros, o que dificulta ainda mais a realização de uma votação livre e justa.
Grupos armados, em grande parte reunidos na aliança Viv Ansanm, assumiram o controle da maior parte da capital, Porto Príncipe, cuja região metropolitana abriga cerca de um quarto da população. Eles também expandiram sua atuação para as áreas central e rural do país.
Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), cerca de 1,5 milhão dos aproximadamente 11 milhões de haitianos foram deslocados pela violência.
No final de setembro, o Conselho de Segurança da ONU prorrogou por seis meses a atuação da Força de Supressão de Gangues (GSF, na sigla em inglês), enviada para enfrentar esses grupos violentos no Haiti.
Anunciada no ano passado, a missão deveria chegar a 5.500 agentes e 50 civis entre abril e outubro, mas permanece abaixo dessa meta.


