Após o primeiro turno das eleições, investidores estrangeiros aportaram R$ 10,06 bilhões na bolsa brasileira em um único dia. O movimento expressivo reacendeu o debate sobre o potencial de entrada de recursos no mercado acionário brasileiro, que, segundo estimativas, pode superar R$ 700 bilhões.
A comentarista de economia Rita Mundim avaliou que o Brasil voltou ao radar dos investidores estrangeiros após anos de afastamento. “Ficamos durante vários anos esquecidos, alijados à parte do mercado”, afirmou.
Problema fiscal como pano de fundo
Rita Mundim destacou que o problema dos juros é estrutural e está diretamente ligado ao desequilíbrio fiscal do país. “A nossa dívida só cresce, o pagamento de juros só cresce, o déficit nominal só cresce”, pontuou.
Para ela, a perspectiva de mudança, com promessas de equilíbrio fiscal e um Estado mais enxuto, é o que tem atraído essa “avalanche de investidores” em direção ao Brasil.
A comentarista também chamou atenção para o desempenho das chamadas empresas cíclicas na B3 — aquelas mais sensíveis ao nível de renda da população e ao endividamento das famílias.
“Essas empresas cíclicas é que estão dando o show na B3”, disse, citando inclusive a valorização de mais de 20% da própria B3 na segunda-feira (5) seguinte ao primeiro turno.
Projeções de entrada de capital
Rita Mundim compartilhou uma estimativa elaborada pelo Itaú sobre o potencial de entrada de recursos na bolsa. Segundo ela, a alocação média dos fundos locais em renda variável é de 8,9% dos recursos, mas no fechamento da segunda-feira estava em 7,6%.
Um retorno à média representaria uma entrada de R$ 147 bilhões. Já um retorno ao pico histórico de 13,1% poderia significar R$ 622,4 bilhões em aportes de fundos locais.
No caso dos investidores estrangeiros, a média histórica de alocação na B3 é de 5,6%, enquanto o nível atual está em 4,6% e o ápice foi de 7,6%. Isso representa um potencial de entrada de quase R$ 240 bilhões em recursos externos.
“Se a gente soma aos recursos locais, nós estamos chegando perto do trilhão”, afirmou Rita Mundim. Em um cenário menos otimista, ela projeta uma entrada de ao menos R$ 700 bilhões, o que já seria suficiente para elevar significativamente o nível de preços dos ativos brasileiros.
Mercado de capitais e economia real
Rita Mundim ressaltou que uma valorização consistente das empresas listadas na Bolsa poderia reabrir uma janela para IPOs e para a migração de investidores da renda fixa para a renda variável.
Segundo ela, o Brasil precisa “voltar a ser um país de negócios e sair do país do rentismo”, permitindo que famílias e empresas financiem o crescimento produtivo do país.


