O copiloto da Flydubai que tentou tomar o controle do voo entre Dubai e Tel Aviv planejou um ataque suicida em Israel inspirado nos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.
Segundo a agência estatal de notícias, o plano era lançar o avião contra um terminal do Aeroporto Internacional Ben Gurion, afirmou nesta sexta-feira (9) o procurador-geral dos Emirados Árabes Unidos,
O comunicado de Hamad Saif al-Shamsi não atribuiu à companhia aérea qualquer irregularidade e trouxe o relato mais detalhado já divulgado pelos promotores sobre o que eles acreditam ter ocorrido. A Flydubai não comentou a declaração.
A investigação indica, segundo o procurador, que o suspeito usou dois voos anteriores para Tel Aviv para “familiarizar-se com a rota do voo e o aeroporto”, informou a agência estatal de notícias WAM. Essa foi a primeira confirmação de uma autoridade pública de que o copiloto teria se inspirado no 11 de Setembro.
A aeronave estava no espaço aéreo saudita quando o copiloto atacou o comandante com um machado de emergência, normalmente mantido na cabine de comando para uso em situações críticas.
O incidente fez o avião despencar quase 5.000 metros em 30 segundos, antes que o agressor fosse dominado e outros dois pilotos que estavam a bordo pousassem o avião em segurança na Arábia Saudita. O suspeito, cidadão de Omã, foi transferido para os Emirados Árabes Unidos, país de origem da companhia aérea.
Os investigadores examinaram os procedimentos de recrutamento da empresa e concluíram que o suspeito cumpria todos os requisitos profissionais e de segurança, incluindo possuir licença de piloto e apresentar um atestado de bons antecedentes.
“No entanto, nenhum dos procedimentos revelou qualquer indício de suas opiniões extremistas ou de sua intenção de executar um plano terrorista”, acrescentou Shamsi.
Ele afirmou que o homem de 29 anos havia trabalhado para companhias aéreas de diferentes países, incluindo a Oman Air, antes de entrar na Flydubai em janeiro de 2026. A investigação aponta que havia sinais de que o suspeito se inclinava ao “extremismo e ao terrorismo” já em 2017, quando estudava na Austrália.
A companhia Royal Air Maroc informou que ele passou por três meses de treinamento em 2025, mas que seu pedido para trabalhar na empresa foi rejeitado posteriormente.
As autoridades dos Emirados Árabes Unidos não identificaram o suspeito. No entanto, uma pessoa a par do assunto disse à Reuters que ele foi identificado como Hammam al-Hammami.
O procurador afirmou que o suspeito disse aos investigadores ter se preparado psicológica e fisicamente para o ataque, assistindo a conteúdos de propaganda terrorista e fazendo aulas de boxe.
O caso gerou críticas ao governo de Binyamin Netanyahu, pressionado antes das primeiras eleições nacionais desde os ataques do grupo terrorista Hamas em 7 de outubro de 2023. Os opositores questionam como um piloto de um país sem relações diplomáticas com Israel recebeu autorização para operar o voo.
No dia do incidente, o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, e o ministro da Defesa, Israel Katz, afirmaram que se tratava de uma ação terrorista. Netanyahu recebeu um dos passageiros que impediram o copiloto ao chegar a Israel, afirmando que ele e o piloto indiano Smit Machchhar eram “verdadeiros heróis”.
“O agressor passou por um processo de radicalização islâmica. Ele pretendia derrubar o avião com todos os passageiros a bordo”, disse em comunicado. “Estamos investigando se ele foi enviado por alguém, e quem quer que o tenha enviado pagará um preço muito alto.”
O primeiro-ministro ordenou no último domingo (4) que fossem realizadas revisões de segurança em todos os voos internacionais para o país. Segundo reportagens na imprensa israelense, pilotos de países hostis a Tel Aviv voaram repetidamente para o país nos últimos anos.
A Arábia Saudita iniciou uma investigação de segurança separada sobre o voo FZ1073, disseram fontes à Reuters.


