A decisão de esvaziar os estádios femininos é política. Toda decisão que envolve o desenvolvimento do futebol é política. É interessante para muitos que quando mulheres joguem as imagens televisionadas mostrem arquibancadas vazias. Casa com o discurso de que ninguém gosta de futebol feminino.
Mas sempre que há apoio, os estádios lotam. O Corinthians decidiu, por exemplo, que as profissionais jogarão no Canindé a partida de volta das quartas de final. Não pode estragar o gramado de Itaquera para os caras, entendem? A torcida não tem intimidade com o Canindé, mas dane-se. Quem quiser mesmo ir, se vira.
Tudo é construção. O futebol masculino foi desenvolvido com apoio do Estado, da mídia e das instituições. Dinheiro, promoção, divulgação, transmissões, televisionamento. Há mais de 100 anos o futebol masculino recebe esse tipo de apoio. O feminino, proibido por lei até 1981, nunca teve o privilégio. A ideia de que as pessoas vão ao estádio sem serem incentivadas a ir é falsa. A construção é coletiva e cabe a CBF, aos clubes e ao Estado entrarem nesse jogo


