A relação entre Donald Trump e o Federal Reserve voltou ao centro do debate após declarações do presidente norte-americano sobre a decisão de elevar os juros nos Estados Unidos.
Ao CNN Money, a comentarista Rita Mundim avaliou que Trump tenta politizar o banco central americano, movimento que, segundo ela, compromete a credibilidade da política econômica dos Estados Unidos.
Trump afirmou ter conversado com Kevin Warsh antes da reunião do Fomc, o comitê de política monetária do Fed, e deu a entender que teria autorizado o banco central a elevar os juros. Para Mundim, a declaração é sintomática de uma postura que vem se intensificando.
“O Trump está precisando ficar mais calado, pode morrer pela boca”, afirmou a comentarista, em referência às consequências que esse tipo de declaração pode gerar para a credibilidade dos Estados Unidos.
Segundo Mundim, Trump também teria conversado com Bessent sobre um programa de recompra de títulos com o objetivo de interferir na formação dos juros de longo prazo, especialmente dos títulos com vencimento superior a dez anos, e, assim, tentar reduzir o custo de financiamento da dívida americana.
“Quando a maior economia do mundo tenta intervir na formação do preço da taxa de juros de mais longo prazo, isso fica desacreditado pelo mercado”, destacou.
Dívida elevada e credibilidade americana
Mundim ressaltou que os Estados Unidos têm uma dívida de cerca de US$ 40 trilhões e gastam mais do que arrecadam. Segundo ela, esse cenário também é influenciado por um conflito que Trump acreditava que duraria quatro semanas, mas que já se estende por sete meses.
Para a comentarista, esse quadro, somado ao programa de tarifas implementado por Trump, provocou um movimento de redesenho geopolítico e contribuiu para a perda de credibilidade da política econômica americana.
“Esse movimento teve início a partir do tarifaço e vai se intensificando em um momento em que os Estados Unidos precisam de credibilidade para financiar ou refinanciar a sua própria dívida”, explicou.
Ela citou o Chile como exemplo de país que tem se beneficiado desse cenário, ao receber fluxo expressivo de investimento estrangeiro após adotar medidas de responsabilidade fiscal.
Brasil pode se beneficiar, mas enfrenta desafios próprios
Na avaliação da comentarista, o Brasil teria condições de se posicionar como destino atrativo para o investimento global diante das incertezas provocadas pela política econômica americana.
No entanto, ela ponderou que o país enfrenta seus próprios desafios estruturais, entre eles a falta de compromisso com o equilíbrio fiscal, que contribui para pressionar a inflação e manter os juros em patamares elevados.
“O Brasil tem tudo para se colocar como um porto seguro e atrativo para o investimento global em função das atrapalhadas de Trump. Mas basta que a gente não tenha atrapalhadas no Brasil”, disse Mundim.
A comentarista citou ainda medidas como o reajuste do Bolsa Família e o aumento de subsídios às vésperas das eleições como fatores que, em sua avaliação, fragilizam o cenário fiscal brasileiro e podem afastar investidores estrangeiros.


