Não é novidade que muitas pessoas dependem de projetos sociais para encontrar oportunidades que o poder público, muitas vezes, não consegue oferecer, ou simplesmente deixa de priorizar. São iniciativas que ajudam a preencher lacunas, abrir caminhos e, sobretudo, permitir que sonhos que pareciam distantes possam finalmente se tornar realidade.
Iniciativas que proporcionam a crianças e adolescentes o acesso às artes, à cultura e à inclusão são sempre muito bem-vindas e merecem ser valorizadas.
Mais do que oferecer oportunidades, projetos como esses têm o poder de despertar talentos, transformar vidas e florescer a veia artística de crianças e jovens que, muitas vezes, não têm acesso a esse universo.
Dois amigos que viveram projetos sociais na infância e que hoje pretendem oferecer oportunidades a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade sabem muito bem como é isso.
Eles são: o músico Fabinho Cesar, ex-integrante do grupo musical Raça Negra, e o especialista em comportamento animal Glauco Lima. Os dois se conheceram ainda crianças, quando frequentavam o Clube da Turma, projeto social que funcionava no Parque Ecológico do Tietê, em São Paulo, nos anos 1980.
A experiência que tiveram naquela época acabou se tornando a inspiração para criar algo que pudesse chegar a outras crianças.
A iniciativa pretende reunir arte, música, educação, inclusão e desenvolvimento humano para criar oportunidades e fortalecer vínculos. Com oficinas de música, várias atividades culturais e muitas conversas para que crianças possam perceber e reconhecer seus talentos escondidos que só o contato com a arte pode dar eles querem oferecer oportunidades.
A proposta não é apenas ensinar uma atividade ou preparar os participantes para o mercado de trabalho. O projeto pretende trabalhar principalmente a autoestima e a descoberta de potencialidades.
“Muitas crianças crescem acreditando que não são capazes porque nunca ouviram alguém dizer o contrário. Às vezes basta um incentivo, uma oficina, uma conversa ou alguém que enxergue o potencial delas para que tudo comece a mudar”, explica Glauco.
O projeto ainda está em fase de estruturação e busca parceiros e patrocinadores para colocar as atividades em funcionamento. A ideia é que, além das oficinas, sejam desenvolvidas ações capazes de aproximar crianças e jovens de diferentes áreas do conhecimento e ampliar seus horizontes.
A inspiração, no entanto, é bastante simples: se uma oportunidade foi capaz de mudar a vida de duas crianças décadas atrás, por que não poderia fazer o mesmo com outras?
Fabinho resume a motivação em uma frase: “O Clube da Turma plantou uma semente em nós. Agora queremos multiplicar essa semente para outras pessoas.”
A iniciativa é muito bacana: devolver para a sociedade o que eles ganharam lá atrás.
Que essas iniciativas possam inspirar cada vez mais pessoas, empresas e instituições a investirem nesse segmento tão importante, contribuindo para construir um futuro com mais oportunidades, inclusão e cultura para todos.


