O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega em Nova York neste domingo, 20, para aquela que pode ser sua última participação na Assembleia-Geral das Nações Unidas (ONU). A viagem ocorre a exatas duas semanas do primeiro turno das eleições brasileiras, marcado para 4 de outubro. O principal compromisso de Lula será na terça-feira, 22, quando fará o pronunciamento que tradicionalmente inaugura a participação dos chefes de Estado no encontro anual. Na sequência, será a vez de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, país anfitrião. Embora não exista uma reunião bilateral programada entre os dois, a agenda pode proporcionar um contato informal semelhante ao ocorrido no ano passado. Em setembro de 2025, os presidentes trocaram algumas palavras nos bastidores antes de seus discursos.
Aquele episódio ajudou na retomada do diálogo entre os dois governos após um período de atritos. Posteriormente, autoridades dos dois países voltaram a negociar questões relacionadas às tarifas impostas por Washington sobre mercadorias brasileiras, além de sanções financeiras e limitações para a concessão de vistos. O ambiente diplomático, contudo, voltou a se deteriorar. Neste ano, os governos do Brasil e dos EUA divergiram sobre questões comerciais e sobre a maneira de enfrentar organizações criminosas brasileiras, classificadas como terroristas pelo governo americano. Também houve a retirada do visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti.
A conjuntura eleitoral deve pesar sobre a passagem de Lula pelos Estados Unidos. O governo brasileiro tem demonstrado preocupação com possíveis iniciativas de Washington que possam produzir efeitos sobre a disputa presidencial. Nesse contexto, o presidente deve utilizar a tribuna da ONU para defender a soberania do Brasil na condução de seus assuntos internos. A defesa da soberania brasileira já apareceu em declarações recentes do presidente, em discussões relacionadas ao comércio, à exploração de recursos estratégicos, à segurança pública e às eleições. A previsão inicial é que Lula fale por cerca de 20 minutos.
Outras agendas do presidente
Antes do discurso, Lula terá outros compromissos em Nova York. Na segunda-feira, 21, ele vai se reunir com o prefeito da cidade, o socialista Zohran Mamdani, que fez o convite para a reunião. O político é hoje uma das figuras públicas que mais antagonizam com Trump. Também está previsto um encontro com António Guterres, atual secretário-geral da ONU.
A agenda internacional do presidente ocorre poucos dias depois da retirada da candidatura de Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile, para suceder Guterres. Então apoiada pelo Brasil, ela anunciou no sábado, 19, sua saída da disputa. Nas consultas realizadas pelo Conselho de Segurança, Bachelet vinha encontrando resistência e a última rodada apontou que pelo menos um dos cinco integrantes permanentes do órgão se opunha à sua candidatura.
Por tradição, o Brasil é o primeiro país a discursar na Assembleia-Geral, posição que ocupa desde 1955. A 81ª edição do encontro será comandada por Khalilur Rahman, ministro das Relações Exteriores de Bangladesh. O lema escolhido para a sessão é “Restaurando a confiança e administrando transformações: uma ONU que produza resultados para todos”.


