O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, faz um discurso recheado de ataques a críticos na Assembleia Geral da ONU, como tem sido costume para o premiê do Estado judeu ao menos desde a edição de 2024, a primeira desde o início da guerra com o grupo terrorista Hamas.
Como no ano passado, Netanyahu viu dezenas de delegações se levantarem e deixarem o salão da Assembleia Geral, inclusive o Brasil. Também como em 2025, um grupo de convidados e aliados de Tel Aviv nas tribunas acima do salão aplaudiram e gritaram em apoio ao premiê, a ponto de o presidente da Assembleia pedir ordem antes do início da fala.
Netanyahu criticou logo de saída os delegados no local. “Se ainda há covardes que não deixaram o salão, o façam agora por favor”, afirmou. Em seguida, lembrou da fala do líder sírio Ahmed al-Sharaa de que as Colinas de Golã, ocupadas por Israel desde 1967, são parte do território sírio. “Senhor Al-Sharaa, os judeus estiveram nas Colinas de Golã desde o tempo de Moisés, você pode ler isso na Bíblia.”
Netanyahu também usou elementos visuais, como nos dois últimos anos, quando mostrou cartazes com perguntas e mapas do Oriente Médio. Mostrou um pager, como os explodidos em operação contra o Hezbollah, para atacar o grupo libanês, e um aparelho de internet Starlink, de Elon Musk, para dizer que o Irã impede seus cidadãos de se comunicar com o mundo.
Na Assembleia do ano passado, Israel ainda não havia aprovado acordo de cessar-fogo com o Hamas e, naquela mesma semana, uma série de países anunciaram conjuntamente o reconhecimento da Palestina como um Estado. Netanyahu abordou o tema em sua fala na ocasião, comparando a decisão a “dar um Estado para a Al Qaeda a uma milha de Nova York depois do 11 de Setembro.”
Nesta quarta, Netanyahu também usou o 11 de Setembro para compará-lo ao 7 de Outubro, data do ataque terrorista do Hamas contra Israel em 2023 que matou 1.200 e deu início à guerra em Gaza, hoje destruída pelas forças israelenses com mais de 73 mil palestinos mortos, segundo autoridades locais com números considerados confiáveis pela ONU.
A cidade-sede da ONU e alvo dos ataques terroristas que abriram uma nova era na geopolítica mundial também teve protestos contra Israel e contra o apoio militar dos EUA ao Estado judeu. O governo de Netanyahu, por outro lado, pagou por 500 outdoors e propagandas pró-Israel e anti-Irã para serem posicionadas na cidade, segundo o gabinete do premiê.
Netanyahu criticou ainda o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, dizendo que ele apoia o Hamas e terroristas. “Você falsamente, repetidamente, acusou Israel de genocídio. Você tentou me impedir de vir aqui, tentou me silenciar. Mas você não pode me silenciar ou silenciar a verdade. Aqui está uma verdade simples: Israel não cometeu genocídio, mas preveniu o genocídio”, disse.
“Isso é exatamente o que o senhor Mamdani e seus amigos do Hamas teriam feito conosco”, disse. “Os dias em que os judeus eram vítimas indefesas e marchavam em direção ao abate acabaram”, afirmou o premiê.
Já havia a expectativa de que Netanyahu fosse ao menos criticar Mamdani. O prefeito de Nova York, primeiro muçulmano a assumir o cargo, fez das críticas ao governo de Netanyahu e das ações de Israel em Gaza parte importante de sua campanha.
Em julho, publicou vídeo no qual afirmou que, caso Netanyahu visitasse a cidade, seria preso, em razão do mandado de prisão aberto contra o premiê israelense no Tribunal Penal Internacional (TPI). Depois ele voltou atrás, reconhecendo publicamente que não teria autoridade para tal.
Netanyahu criticou ainda países que recentemente impuseram sanções a Israel contra assentamentos judeus em terras palestinas ocupadas na Cisjordânia.
“Acusam o pequeno país de Israel de colonialismo. E quem nos acusa, alguns na França, no Reino Unido. Meu Deus do céu, eles inventaram o termo. Colonianismo… dá um tempo”, afirmou Netanyahu. Ele também fez referência aos colonos como “cidadãos que respeitam a lei”, embora registros de violência contra palestinos estejam em crescimento enquanto o governo aprova licitações para novos assentamentos.
Como outros discursos na tribuna da ONU, incluindo os de Lula e de Donald Trump, as declarações de Netanyahu não miraram apenas a comunidade internacional, mas o público doméstico.
Israel tem eleições parlamentares em outubro que devem ser acirradas e terminar sem uma maioria óbvia de nenhum dos blocos, inclusive o do premiê, segundo pesquisas. O apoio em Israel à guerra contra o Hamas é alto no país, também de acordo com pesquisas.


