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Rubio se aproxima de Lula na ONU, mas esbarra em Vieira – 22/09/2026 – Mundo

Durante a saída das delegações da plenária da ONU, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, se aproximou do presidente Lula (PT), mas não o alcançou.

O quase encontro aconteceu após os discursos dos presidentes Donald Trump e Lula, quando grande parte da plenária da Assembleia Geral da ONU se esvaziou. Entre as delegações que deixaram o local estiveram as do Brasil e dos EUA.

Rubio, que acompanhou apenas o discurso de Trump, chegou a se aproximar de Lula e fez um gesto indicando que pretendia falar com o brasileiro. O chefe da diplomacia americana, porém, não conseguiu alcançar o presidente antes de sua saída. Na sequência, o chanceler Mauro Vieira fez um sinal para o chefe da diplomacia americana.

Trump e Lula não se encontraram nos bastidores da ONU neste ano —diferentemente do que ocorreu no ano passado, quando trocaram um abraço e conversaram brevemente. O americano disse que houve uma “química exclente” com o seu homólogo brasileiro. Aquele contato marcou uma mudança na relação entre os dois governos e abriu caminho para a retomada das negociações entre Brasil e EUA.

Neste ano, os dois líderes chegaram à Assembleia Geral em meio a um novo período de tensão diplomática. O governo Trump adotou medidas contra o Brasil, como a imposição de tarifas e a revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Viotti.

Também diferente do ano passado, o presidente Trump não citou o Brasil, apesar de ter ameaçado usar força militar “se necessário” na América Latina e citado o fato que, desde que voltou a Casa Branca, passou a designar cartéis como terroristas —entre eles, estiveram CV (Comando Vermelho) e PCC (Primeiro Comando da Capital).

Já Lula, no discurso que antecedeu Trump, não mencionou nominalmente os EUA, mas fez referências constantes ao país, como, por exemplo, chamando-o de “maior potência militar do mundo” que pratica ingerências na América Latina e no Caribe.

Também falou do tarifaço imposto, em julho, pelo governo Trump. “Apesar do tarifaço contra nossa economia, este ano bateremos novo recorde de exportações”, disse Lula. O brasileiro criticou as tentativas de interferência no processo eleitoral e na maneira de combater o crime organizado na região, além de práticas como as tarifas econômicas e as ameaças ao método de pagamentos instantâneos Pix.

Falta de encontro do Trump e Lula

Em entrevista à Folha após os discursos, Amanda Roberson, porta-voz do Departamento de Estado, afirmou não saber se houve uma decisão deliberada do presidente americano de evitar o brasileiro.

“Só eles e as equipes deles sabem o que acontece nos bastidores”, disse. Roberson afirmou que, pela ordem tradicional dos discursos na Assembleia Geral, em que o Brasil fala antes dos Estados Unidos, encontros entre integrantes das duas delegações podem ocorrer naturalmente durante a movimentação no plenário.

“Independentemente de um encontro entre os dois presidentes, os nossos dois governos estão constantemente dialogando, negociando e trabalhando através da diplomacia”, afirmou.

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