
Uma das imagens mais chocantes do domingo (4) de eleição veio de Parnamirim, no Rio Grande do Norte. Encerrada a apuração, viralizou rapidamente a foto de uma criança de nove anos segurando uma arma. Em cima de um carro e com a camisa da seleção brasileira, o menino era ovacionado por uma multidão de adultos. Adultos que o deveriam proteger de constrangimentos, dores e traumas. Em vez disso, o aplaudiam. O Carlos Madeiro, aqui no UOL, contou toda a história.
A criança foi levada ao ato pelo pai, que celebrava as vitórias da extrema-direita no primeiro turno. A mãe soube de tudo só depois, quando a imagem varreu as redes sociais. Ficou desesperada quando o garoto chegou em casa. Chorando. Uma criança de nove anos ser exposta em cima de um carro a uma multidão de adultos e ao mundo inteiro com uma arma na mão deveria nos envergonhar como país. Ser assunto de uma semana inteira. Nos fazer perguntar, em todos os programas da manhã e da tarde na TV: então é isso que somos agora?
É papel da família, de toda a sociedade e do Estado, ou seja, de todos os governantes e de quem ocupa um cargo público, feito um juiz, por exemplo, ou uma professora, proteger as infâncias e adolescências do Brasil. Não tirei isso da minha cabeça, está na lei. Está escrito no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Proteger não é só ficar na frente quando uma pessoa ameaça a outra fisicamente. Proteger é, também, não criar situações em que a vida de alguém, o seu desenvolvimento e até a sua saúde emocional sejam colocados em perigo.


