Empresas de apostas online manifestaram forte descontentamento com a perspectiva de uma proibição total das bets no Brasil. O setor defende que a medida, em vez de resolver o problema, pode ampliar o mercado clandestino e gerar efeitos negativos em cadeia na economia.
Segundo relatado pela analista de Política Isabel Mega durante o Bastidores CNN desta sexta-feira (25), diversas empresas do setor entraram em contato para demarcar a posição contrária ao iminente anúncio do governo.
“Há uma defesa de que o debate público deveria estar concentrado em como tornar a regulamentação cada vez mais eficiente, e não em substituir um mercado regulado”, afirmou Mega.
As empresas alertam que uma proibição abrupta estimularia a migração de usuários para plataformas ilegais, sem supervisão estatal, sem pagamento de impostos e sem qualquer compromisso com regras de proteção ao apostador.
Em conversa com a analista da CNN, João Vitor Vilas Boas, diretor executivo das marcas Sortenabet e Betou, defendeu que ajustes regulatórios são legítimos e necessários, mas que uma proibição total afetaria outros segmentos econômicos, gerando um efeito em cadeia.
O setor também aponta que as empresas geraram vagas de emprego que poderiam ser perdidas. Estima-se que cerca de 15.500 postos de trabalho sejam extintos com a medida.
Estratégia das empresas: o Congresso Nacional
Diante da percepção de que o governo teria intenções eleitorais na decisão, as empresas do setor teriam desistido momentaneamente de negociar com o Executivo e passado a mirar o Congresso Nacional.
A avaliação, segundo Mega, é que, após as eleições, o tema deverá ser votado pelos parlamentares. “Ou a medida provisória vai caducar e abrir espaço novamente para essa discussão acontecer, já com os cenários estabelecidos.”
O Instituto Brasileiro do Jogo Responsável, ouvido pelo analista Gabriel Monteiro na quinta-feira (24), antecipou que recorreria ao Supremo Tribunal Federal caso a medida fosse implementada, classificando a decisão como um grave sinal de insegurança jurídica.
Além do fechamento de vagas de emprego, há uma preocupação nos bastidores com a arrecadação. De janeiro a julho de 2026, a arrecadação do setor chegou a R$ 8,75 bilhões, sem contar os R$ 2,5 bilhões em outorgas pagos pelas empresas no ano passado.


