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Turquia: Humorista é condenado a 19 meses de prisão – 28/09/2026 – Mundo

O humorista turco Deniz Goktas, 32, foi condenado a 19 meses de prisão por um tribunal de Istambul nesta segunda-feira (28) sob a acusação de “insultar” o presidente Recep Tayyip Erdogan. A corte, no entanto, ordenou sua libertação enquanto um recurso é analisado.

Além de condenado por insultar Erdogan, Goktas também foi considerado culpado da acusação de “insultar valores religiosos”. Ele foi inocentado de uma terceira acusação, semelhante a uma apologia do crime.

Conhecido por sátira política mordaz, Goktas foi detido pela polícia em 3 de julho, uma semana depois da publicação no YouTube de um vídeo de um show de stand-up para milhares de espectadores e que registrou quase nove milhões de visualizações na plataforma.

No início da audiência, Goktas, que estava detido havia 88 dias, subiu ao púlpito no Palácio da Justiça de Caglayan e se defendeu com palavras carregadas de ironia que provocaram gargalhadas na sala.

Na denúncia, os promotores destacam uma frase em que ele chama Erdogan de “ditador tímido”, mas Goktas insistiu que “não havia qualquer elemento criminoso”.

“Ditador não é um insulto: é uma caracterização política”, afirmou. “Como presidente e líder do partido que governa o país há 25 anos, um espetáculo de humor político em que nunca se mencione o nome de Erdogan não seria sincero nem teria qualquer relação com a realidade”, disse.

Ele também negou as acusações apresentadas e disse que “Erdogan deveria estar aberto à arte da sátira”.

Nos últimos anos, milhares de pessoas foram processadas na Turquia por “insultar o presidente”, em uma campanha que atingiu políticos, artistas, músicos, jornalistas e ativistas LGBTQ+, entre outros.

No último dia 13, por exemplo, a polícia turca realizou uma série de batidas e detenções em bares, organizações e residências de ativistas LGBTQIA+. O governo de Erdogan afirmou que a operação tinha como objetivo proteger a família tradicional, mas organizações de direitos humanos avaliam a ação como mais um capítulo da repressão à comunidade no país.

As autoridades afirmam que ao menos 47 pessoas foram detidas, 26 delas em Istambul e outras 21 em Ancara. O ministro da Justiça, Akin Gürlek, afirmou que as operações resultaram em processos judiciais contra 162 suspeitos, 9 associações e 13 empresas em 15 províncias, incluindo Istambul, Ancara e Izmir, as três principais cidades do país.

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