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Diana nunca sai de moda: novo livro revela bastidores de relação com Charles III

Poucas figuras se tornaram tão marcantes no imaginário popular quanto Diana, a eterna Princesa de Gales. Rebenta da nobre família Spencer, ela foi alçada ao patamar real após seu casamento com o então Príncipe Charles, herdeiro do trono inglês, e se tornou popular a ponto de eclipsar quase todos os membros da Casa de Windsor — alguns dizem que até mesmo a própria Rainha Elizabeth.

Tal projeção alimentou um interesse que segue vivo, mesmo quase três décadas após a sua morte, resultando em livros e séries abordando a história de Diana e seu polêmico e caótico relacionamento com Charles III. A obra mais recente, Swan Song: Diana, My Sister, é assinada pelo irmão da princesa, Charles Spencer, e traz informações inéditas sobre a vida da nobre e sua relação com a realeza.

Uma vez que Diana nunca sai de moda, a coluna GENTE relembra como foi a relação entre Lady Di e o então Príncipe de Gales, colocando uma lupa sobre os fatos novos trazidos por Spencer.

Primeiros contatos

Nascida em 1961, em Norfolk, no leste da Inglaterra, Diana Frances Spencer pertencia à nobre família Spencer. Filha do Conde John Spencer, Diana cresceu com sua família em Sandringham, ao lado dos irmãos. O alto estatuto de sua linhagem fez com que sua família fosse conhecida dos Windsor, com o então Príncipe Charles chegando a namorar sua irmã mais velha, Sarah.

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Embora não esteja claro quando foi a primeira vez que os dois se conheceram, Charles III e Diana se reencontraram em novembro de 1977, quando Sarah levou o príncipe para passar um final de semana em Althorp, a propriedade principal da família Spencer. Na ocasião, Diana tinha 16 anos, e Charles, 29. “Lembro de pensar que ela era uma jovem de 16 anos muito alegre, divertida e atraente. Quer dizer, muito divertido, animado e cheio de vida e tudo mais”, descreveria o príncipe anos mais tarde.

Príncipe Charles e Princesa Diana, posam para foto nos arredores do Palácio de Buckingham - 24/02/1981
(Hulton Archive/Getty Images)
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Apesar de pertencerem ao mesmo círculo social, os dois só se aproximariam definitivamente no verão de 1980, quando foram convidados para passar um final de semana na propriedade de um amigo em comum, Philip de Pass, em Sussex. Na ocasião, Charles já havia rompido seu relacionamento com Sarah, supostamente chateado com a declaração da futura cunhada a um jornalista de que não se casaria com o príncipe “nem que ele fosse lixeiro ou o Rei da Inglaterra”.

Charles passava por um período conturbado devido à morte de seu tio-avô, Lord Mountbatten, em decorrência de um atentado promovido pelo IRA (Exército Republicano Irlandês), e se surpreendeu com a ternura de Diana ao abordar o assunto. “Em uma conversa que ela depois relembrou para amigos, Diana lhe disse: ‘Você parecia tão triste quando caminhou até o altar no funeral de Lord Mountbatten. Foi a coisa mais trágica que já vi. Meu coração sangrou por você quando assisti. Pensei: “É errado, você está sozinho, deveria estar com alguém para cuidar de você’”, escreveu o historiador Andrew Morton no livro Diana: Em Suas Próprias Palavras.

O incidente mudou a forma como Charles enxergava a jovem, e os dois passaram a ser vistos juntos. Diana esteve na propriedade privada da família real em Balmoral, na Escócia, e o príncipe teria ensinado a nobre a pescar. Tal proximidade levou a fevereiro de 1981, quando Charles pediu Diana em casamento no Castelo de Windsor, com o casamento sendo realizado meses depois, em julho.

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O casamento

Em Swan Song: Diana, My Sister, Charles Spencer revela que o casamento quase não aconteceu. Isso porque Diana teria tentado romper o noivado após a festa de 21 anos do infame Andrew Mountbatten-Windsor, na qual o Príncipe Charles “demonstrou um interesse quase nulo por ela”. Spencer escreve que Lady Di recorreu ao pai, Conde Spencer, afirmando “que não podia seguir adiante com um homem que claramente não a amava.” Outro fator que teria impulsionado a reação da prometida foi o fato de ter encontrado uma pulseira comprada por Charles para Camilla Parker Bowles, atual esposa do monarca.

A relação pioraria antes mesmo do casamento. Isso porque Charles teria admitido para Diana, pouco antes da cerimônia, que não estava apaixonado por ela. “Ela precisava saber que ele estava muito feliz em se casar com ela, mas que, na verdade, não estava apaixonado por ela”, escreveu Spencer, afirmando que o relato foi feito por sua irmã a um amigo próximo. “Diana teve que absorver aquele golpe de martelo, enquanto também tinha certeza de que o Príncipe Charles estava entrando no casamento deles com o coração em outro lugar.”

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Além dos itens da Princesa Diana, leilão trará peças da Rainha Elizabeth II e outros membros da realeza
(Terry Fincher/Princess Diana Archive/Getty Images)

Se toda a incerteza em torno da paixão não fosse suficiente, Spencer ainda aponta que o Príncipe Charles teria despertado um gatilho na bulimia de Diana poucos dias antes do anúncio do noivado, quando apertou a cintura da jovem e disse: “Está um pouco gordinho aqui, não?”. O comentário é descrito pelo irmão da princesa como “devastador”, resultando em um processo de emagrecimento da princesa entre o noivado e o casamento. “Mais tarde, ela me contou que sua cintura diminuiu de 73,7 cm para 59,7 cm”, disse Spencer.

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Apesar de tudo, o casamento foi um sucesso — pelo menos na área de relações públicas. Mais de 750 milhões de pessoas assistiram à cerimônia, que ocorreu na Catedral de St. Paul, em Londres, no dia 29 de julho de 1981. Outras centenas de milhares acompanharam Charles e Diana no trajeto do Palácio de Buckingham até a catedral, onde a princesa seria a primeira inglesa a se casar com um herdeiro do trono em 300 anos.

Desgaste

Os dois tirariam uma longa lua de mel, de aproximadamente três meses, que poderia melhorar as relações. No entanto, o primeiro compromisso oficial do casal, no País de Gales, teria sido um banho de água fria, com Charles se ressentindo da atenção recebida pela esposa. “Eles fizeram uma visita ao País de Gales, que foi o começo, para o Príncipe Charles, percebendo: ‘Eles vieram ver minha esposa, não vieram me ver’”, disse a prima da Rainha Elizabeth, Lady Elizabeth Anson, à revista People.

Diana e Charles se assentariam em uma residência principal em Highrove House, nos arredores de Tetbury, enquanto manteriam um apartamento no Palácio de Kensington como residência em Londres. Eles teriam seus dois filhos nos anos seguintes. William, o primogênito, nasceria em 1982, e Harry, o caçula, viria em 1984. Os herdeiros também teriam impactado a relação. Diana sofreu de depressão pós-parto após dar à luz a William, e Charles teria ficado decepcionado com o fato de Harry não ser uma menina — chegando a resmungar: “Oh Deus, é um menino, e ele até tem cabelo enferrujado”, o que endureceu a visão de Diana sobre a relação.

Princesa Diana

A crise chegaria a seu apogeu em 1986, quando ambos começariam a ter relacionamentos extraconjugais. Charles retomaria seu antigo caso com Camilla Parker Bowles naquele ano, e acredita-se que Diana iniciaria seu relacionamento de cinco anos com o Capitão James Hewitt, oficial de cavalaria e seu instrutor de equitação, no mesmo período. Eles foram atormentados pelos rumores sobre a crise nos anos seguintes e pareciam completamente infelizes em aparições públicas. Lady Di teria chegado até a confrontar publicamente a amante de Charles durante uma festa. “Obviamente estou atrapalhando, e deve ser um inferno para vocês dois, mas eu sei o que está acontecendo”, teria dito ela. “Não me trate como idiota”.

O ano final

Tudo entraria em colapso em 1992, o ano em que a relação de Charles e Diana terminaria. Em março, a relação sofreu um duro golpe com a publicação de Diana: Sua História Verdadeira, um livro escrito por Andrew Morton e que logo se descobriria ter sido feito com a cooperação da princesa. A obra descreve sua luta contra a bulimia e a depressão, e dá grande ênfase à presença de Camilla, que é descrita como a terceira pessoa no casamento.

Princesa Diana, com cabelo loiro volumoso e brinco de argola, olha para baixo com expressão séria, ao lado do Príncipe Charles, que tem a cabeça baixa e veste terno escuro com camisa listrada e gravata. Uma mulher de cabelo claro aparece desfocada ao fundo
(Jayne Fincher/Princess Diana Archive//Getty Images)

Em novembro, o casal faz uma viagem oficial a Coreia do Sul, onde surgem com um aspecto tão negativo que a imprensa do Reino Unido os apelida de ‘The Glums’, em referência a uma famosa sitcom britânica do período. No mês seguinte, o divórcio é anunciado pelo primeiro-ministro no parlamento britânico. Nenhum dos dois comentou o caso, com Diana se estabelecendo em Kensington, e Charles se mantendo em Highgrove.

Charles Spencer, em uma das mais inusitadas afirmações de seu novo livro, destaca que o divórcio ocorreu devido à paixão do Príncipe Charles por um de seus funcionários. “Ela olhou para mim e, enquanto seus grandes e tristes olhos se fixavam nos meus, disse em voz baixa: ‘Mas, Carlos, meu marido está apaixonado pelo criado dele’. Engoli em seco. ‘Bem, acho que, nesse caso, você realmente não tem escolha’. Ela não nomeou o membro da equipe e nunca perguntei quem era, ou por que ela acreditaria em algo tão improvável. Não era importante: o fim do casamento dela, e dos sonhos, era”, escreveu.

Os anos pós-casamento

Após a separação, Charles confessaria publicamente ter traído Diana em uma entrevista dada em junho de 1994. Na ocasião, o Príncipe de Gales afirmou ter permanecido fiel à esposa “até que tudo se deteriorasse irremediavelmente”. Um ano depois, foi a vez de Diana falar, em uma polêmica entrevista ao Panorama da BBC. “Bem, éramos três nesse casamento, então estava um pouco lotado”, disse, referindo-se a Camilla. A princesa chegaria a discutir se Charles estaria apto a ser rei.

Princesa Diana sorrindo, com cabelo loiro curto, usando um vestido preto tomara que caia, colar de pérolas e safira, brincos de pérola, e segurando uma bolsa preta. Ela caminha em um gramado verde, com árvores e pessoas borradas ao fundo
(Jayne Fincher/Getty Images)

Um mês após a entrevista de Diana, Charles pediu formalmente o divórcio. Foram meses de negociação até que o processo fosse concluído em agosto de 1996. Lady Di chegou a um acordo financeiro significativo, mas foi destituída do status de Sua Alteza Real, o que a deixou bastante abalada. Ela se envolveria em um relacionamento com o diretor de cinema Dodi Al-Fayed até sua morte, no dia 31 de agosto de 1997, em um acidente de carro em Paris.

O pós-morte

Charles Spencer relata os detalhes da noite da morte de Diana, indo desde o momento em que soube do evento até sua conversa por telefone com o Príncipe Charles, que é descrito pelo ex-cunhado estando “eufórico como um vencedor de loteria”. “Olhando para trás agora, suspeito que a primeira reação do príncipe deve ter sido pensar mais em como esse evento poderia libertá-lo para se casar com a mulher que amava, do que apreciar a perda de uma que não amava”, indica o irmão da princesa.

Philip, William, Spencer, Harry e Charles durante o funeral da princesa Diana, em 1997 -
Philip, William, Spencer, Harry e Charles durante o funeral da princesa Diana, em 1997 (Anwar Hussein/Getty Images)

Uma conversa posterior entre os dois aconteceria às vésperas do funeral, enquanto discutiam se os jovens William e Harry iriam ou não andar atrás do caixão de sua mãe. “Presumi que a pausa sinalizasse um esforço para se controlar, mas então ele descarregou pelo telefone o que sempre interpretei como seu desprezo reprimido por Diana, e seu horror por o mundo ter sido tão derrubado pela morte dela. ‘Fique tranquilo’, ele sibilou, ‘logo vamos esquecê-la!’”, disse Spencer.

O autor descreve uma preocupação com a “óbvia falta de cuidado” com o Principe Harry, na época com 12 anos, com a morte da mãe. “Ele precisava dos abraços de Diana, claro, e eles seriam para sempre negados. Mas, em vez de calma e cuidado, ele foi deixado sair do controle. Muitas vezes olhei para trás, achando que uma mão mais cuidadosa em momentos como esse teria ajudado enormemente no futuro”, explicou.

Spencer ainda diz que a Rainha Elizabeth II chegou a oferecer a reintegração póstuma do título de Sua Alteza Real à Diana, mas o Conde Spencer recusou a possibilidade. “Depois de um momento, senti que sabia no fundo como ela veria esse prêmio póstumo: ‘Isso é muito gentil da parte da Rainha, claro. Mas qual é o sentido? Agora? Quero dizer – Diana está morta”, teria dito ele ao secretário particular da rainha.

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